Você envia um emoji de rosto sorrindo e a pessoa do outro lado vê algo completamente diferente do que você mandou. Às vezes a diferença é sutil, às vezes é absurda a ponto de mudar completamente a interpretação da mensagem. Isso não é bug, não é erro de envio e não tem nada de errado com nenhum dos dois celulares. É assim que o sistema foi construído e entender o motivo explica muita confusão desnecessária.

Emojis são caracteres, não imagens

O primeiro ponto que muda tudo é entender que um emoji não é uma imagem enviada de um celular para outro. Ele é um caractere de texto, como uma letra ou um número, só que com um código específico que representa um conceito. Quando você toca no emoji de coração, o que é enviado na mensagem é um código universal, algo como U+2764, que significa coração.

Cada sistema operacional, fabricante ou aplicativo recebe esse código e decide como desenhá-lo visualmente. O código é o mesmo para todo mundo, mas o desenho que cada empresa cria para representar aquele código é completamente diferente. Apple desenha o coração de um jeito, Google de outro, Samsung de outro e assim por diante.

Cada empresa tem seu próprio estilo visual

Apple, Google, Samsung, Microsoft e outros fabricantes e empresas de tecnologia criam e mantêm seus próprios conjuntos de emojis com identidade visual própria. É por isso que o emoji de rosto com lágrimas de alegria da Apple tem uma aparência diferente do mesmo emoji no Android, que por sua vez é diferente no Samsung, que usa uma camada própria sobre o Android com emojis redesenhados.

Aplicativos também entram nessa equação. WhatsApp, Twitter e outros têm seus próprios emojis que aparecem dentro do aplicativo independente do sistema operacional do celular. Então o mesmo emoji pode ter até quatro ou cinco aparências diferentes dependendo de onde está sendo visualizado.

Quando a diferença muda o sentido

Na maioria das vezes a diferença é apenas estética e não causa problema nenhum. Um coração continua sendo um coração independente do estilo visual de cada empresa. Mas existem casos onde a diferença de interpretação entre os desenhos é grande o suficiente para gerar confusão real.

Um exemplo clássico é o emoji de pistola. A Apple durante muito tempo manteve um design de pistola de água colorida enquanto outras plataformas usavam uma pistola real. Quem enviava o emoji em um contexto específico podia transmitir mensagens completamente diferentes dependendo do celular de quem recebia. Casos como esse mostram que a diferença visual vai além da estética e pode afetar o significado da comunicação.

Quem define quais emojis existem

Existe uma organização chamada Unicode Consortium responsável por definir quais emojis existem oficialmente e o que cada um representa conceitualmente. Ela não define a aparência visual, apenas o catálogo e o significado de cada símbolo. As empresas recebem essa lista e criam seus próprios desenhos para cada emoji aprovado.

É por isso que novos emojis chegam ao mesmo tempo em várias plataformas após serem aprovados pelo consórcio, mas com designs completamente diferentes em cada uma. A aprovação é centralizada, a execução visual é livre.

O que esperar no futuro

A tendência é que as diferenças visuais entre plataformas diminuam gradualmente. Não porque as empresas vão adotar um design único, mas porque a comunicação cada vez mais acontece dentro de aplicativos que usam seus próprios emojis independente do sistema operacional. Quando tanto o remetente quanto o destinatário usam o mesmo aplicativo, os dois veem exatamente o mesmo desenho, eliminando a diferença de interpretação.

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Tecnologia não precisa ser complicada. Quando você entende o básico, até um emoji é motivo de aprendizado.